Sabe, mesmo quando somos crianças e brincamos de “fingir” sermos quem não somos, como super heróis por exemplo, sabemos separar a realidade da fantasia.

No entanto, quando nos tornamos adultos e começamos a investir, tenho a impressão de que muitos de nós confundem frequentemente o que é ser um investidor de verdade e o que é um de “mentirinha”. Acho que já passou da hora de nos tornarmos investidores adultos e deixarmos as brincadeiras de “faz-de-conta” para as crianças.

Essa reflexão importantíssima me foi trazida por um colega americano chamado Carl Richards, em um texto que foi divulgado primeiramente nos Estados unidos, mas que parece que foi escrito especialmente para nós brasileiros.

Cada vez mais vejo o crescimento de uma indústria voltada ao convencimento dos investidores de que eles podem “enriquecer” rapidamente, caso façam os investimentos certos, que obviamente apenas eles sabem quais são e que podem ser acessados comprando um determinado relatório, robô para fazer as operações, cursos ou ainda usando alguma estratégia com nome rebuscado.

Vejo também com frequência um frenesi de investidores acompanhando seus investimentos diariamente – por vezes várias vezes ao dia – imaginando que podem agir de alguma forma para “aproveitar oportunidades” e ganhar dinheiro com isso.

Relatórios para investimento com “segredos” ou promessas milionárias, carteiras recomendadas que mudam frequentemente, influenciadores que parecem gurus e possuem os segredos que “ninguém queria que você soubesse” são alguns dos exemplos dessa indústria que pouco a pouco consome o tempo e o dinheiro de muitos investidores, vendendo milagres e sendo remunerados por isso, seja direta ou indiretamente.

Desta forma, trazer essa reflexão nesse momento, no qual passamos por dificuldades advindas da pandemia, e colocar nosso foco no lugar certo pode ter muito valor. É fundamental que nos tornemos investidores de verdade – aqueles que sabem que não existem milagres em investimentos, mas sim muita capacidade e trabalho duro, dos verdadeiros profissionais do setor e que não é porque fizemos algumas pesquisas no google ou um curso de poucas semanas que nos tornamos estrelas do mercado.

Vou dar alguns exemplos sobre o comportamento de investidores de verdade e de “faz-de-conta”.

Investidores de mentirinha estão sempre “ligados” no mercado. Sabem as ações que subiram ou que caíram mais, sempre “ouviram falar” sobre alguma “oportunidade de uma vida” e, claro, já se posicionaram para aproveitá-la. Investidores de verdade sabem que o conhecimento sobre as ações que mais subiram ou caíram pode ser uma curiosidade, mas o importante é manter a atenção nas coisas que podem controlar, como guardar um pouco mais dinheiro, ter bons profissionais para cuidar de seus investimentos e controlar seu comportamento para evitar más decisões.

Investidores de mentirinha acham que faz sentido mudarem seus investimentos com base no que escutam no noticiário: O ministro da economia declarou algo, então preciso fazer alguma coisa; a eleição americana está de tal jeito, preciso mudar; e por aí vai. Já investidores de verdade fazem seus investimentos baseados no que acontece nas suas vidas. Se suas metas mudam ou se a situação financeira muda, eles agem e adaptam seus investimentos para a nova realidade, mas nunca mudam os investimentos baseados em alguém dizendo que devem comprar ou vender algo.

Investidores de mentirinha adoram contar para todos quando alguma “estratégia” que usaram deu certo e como eles ganharam muito dinheiro (percentualmente) em pouco tempo. Claro que eles não contam quando não dá certo, nem fazem análises sobre o desempenho total acumulado. Investidores de verdade sabem que a chance desse sucesso acontecer é a mesma de ganhar dinheiro em um cassino. Quanto mais vezes se aposta, mais dinheiro se perde.

Investidores de mentirinha pensam que precisam acompanhar seus investimentos a todo momento, mas investidores de verdade sabem que uma grande árvore leva tempo para crescer. Cavar para olhar se suas raízes estão bem não a faz crescer mais rapidamente. O mesmo raciocínio é verdadeiro para os investimentos.

Investidores de mentirinha escolhem seus investimentos baseados em análises de desempenho passado, mas investidores de verdade focam nas perspectivas futuras, já que se o passado fosse se repetir, seria fácil demais fazer as escolhas e todos faríamos as mesmas.

Investidores de mentirinha falam muito sobre seus investimentos. Eles usam termos técnicos complicados, mesmo que muitas vezes não façam sentido, embora possam impressionar quem não entende do assunto. Já investidores de verdade entendem a diferença entre a economia global e sua economia pessoal e preferem focar nessa última.

Investidores de mentirinha concentram suas posições em um ou poucos produtos ou fundos, para ganharem uma “bolada” quando subirem. Já investidores de verdade sabem que a primeira regra de um bom investidor é a diversificação e que dentro dela, alguns investimentos irão bem, enquanto outros não e que isso traz resultados consistentes ao longo do tempo.

Esses são alguns exemplos que indicam que um investidor é mesmo um investidor de verdade ou se ainda vive em um mundo de faz-de-conta, cheio de ilusões nas quais seu tempo e seu dinheiro são consumidos, muitas vezes sem que se dê conta.

Qual tipo de investidor você quer ser? A escolha é sua.

Boas escolhas!

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