Conteúdo por: InvestNews

Pergunta de Lucas Reis: Qual a diferença entre os dividendos pagos pelos FIIs, ações ou BDRs?

Resposta de Fulgêncio Bomtempo:

Se você é recém-chegado no mundo dos investimentos, vale a pena darmos um passo atrás e lembrar o que são os dividendos: dividendos são a parte do lucro das empresas que são distribuídos aos sócios. Dito isso, vamos analisar a diferença entre os dividendos pagos por cada um dos ativos financeiros.

Dividendos pagos pelos FIIs
Quando compramos uma cota de Fundo de Investimento Imobiliário (FII) nos tornamos cotistas do FII, nos tornando sócios de um empreendimento imobiliário e passamos a ser um dos donos de um ou mais imóveis, como shoppings, hospitais, galpões logísticos, lajes corporativas, dentre outros. O aluguel desses imóveis é pago ao fundo, que é obrigado a distribuir, no mínimo, 95% dos lucros.

Diferente de um imóvel alugado, que tem alíquota de IR de até 27,5%, os FIIs contam com isenção de Imposto de Renda (IR) sobre os dividendos recebidos. Outra característica atraente dos dividendos pagos pelos FIIs é o fato de, apesar de ser obrigado a realizar o pagamento dos proventos semestralmente, a maioria realiza o pagamento mensal, constituindo uma renda passiva recorrente.

Dividendos pagos pelas ações
Quando compramos a ação de uma empresa, nos tornamos sócios acionistas dela. Como sócios da empresa, temos direito a receber dividendos proporcionais à nossa participação societária. Antes de distribuir dividendos, as empresas listadas em bolsa frequentemente utilizam de uma manobra tributária ao distribuírem Juros sobre Capital Próprio (JCP), sendo pagos antes da apuração do lucro. Esse é mais um provento recebido pelos acionistas, e deve ser somado aos dividendos, para analisar o quanto você está recebendo da empresa.

Após apurar o lucro líquido, as empresas de capital aberto são obrigadas a distribuírem, no mínimo, 25% do lucro aos acionistas. Contudo, cada empresa tem sua própria política de distribuição de dividendos, algumas chegam a distribuir até 100% dos lucros, em casos excepcionais, até mais de 100% quando há caixa suficiente para isso.

Uma empresa que “paga poucos” dividendos não é necessariamente ruim, pois ela acredita que ao distribuir o mínimo obrigatório e reinvestir o lucro na própria empresa, ela consegue crescer mais e consequentemente gerar mais valor ao acionista, fazendo as ações valorizarem e distribuir mais lucro no futuro. Os JCP têm imposto de renda retido na fonte, então o que você recebe já é líquido de imposto. Já os dividendos pagos pelas empresas são isentos de imposto de renda.

Dividendos pagos pelos BDRs
Aqui vale a pena darmos outro passo atrás e relembrar o que são BDRs: são recibos que representam ações de uma empresa estrangeira, emitidos no Brasil e negociados na B3. Com isso você não é diretamente acionista de uma empresa estrangeira e sim proprietário de um recibo que representa essa ação estrangeira. Dito isso, vamos ao que interessa: ao investir em um BDR, recebo dividendos? A resposta é: Depende!

Nos Estados Unidos as empresas não são obrigadas a distribuir dividendos como no Brasil, então vai da política de distribuição de cada empresa. Digamos que a empresa que você comprou BDRs pague dividendos, então você tem uma série de tributações. Nos EUA os dividendos são tributados em 30% então se a empresa vai distribuir $1,00 só chega ao acionista $0,70.

Como um BDR não é a ação propriamente dita, e sim um Recibo Depositário, existe a figura do custodiante, que é quem realmente detém a ação e as coloca em garantia para a negociação dos BDR na bolsa brasileira. Esse custodiante retém entre 3% e 5% dos dividendos.

Quando os dividendos por fim caem na conta do investidor, a Receita Federal está de olho e considera como “Rendimentos Recebidos de Fonte no Exterior” e são tributados conforme a tabela progressiva, desde que ultrapassem o valor de R$1.903,98 no mês. Devendo ser recolhido via Carnê-leão e permitindo deduzir o imposto retido pelo governo americano.

Dividendos em fundos de ações
Uma dúvida que recebo com muita frequência: “Por que investir através de um fundo de ações se não recebo dividendos?”. Essa é uma percepção errada por parte de inúmeros investidores. Costuma-se dar muita atenção aos dividendos que caem na conta do investidor, chamando de renda passiva e sobrestimando a questão de “viver de dividendos”.

O fato de, ao investir em fundos de ações o dividendo não cair na conta do investidor, não significa que esse tipo de investimento não receba dividendos. Pelo contrário, o dividendo é recebido pelo próprio fundo e a equipe de gestão, prontamente já encontra um ativo para realizar o reinvestimento dos proventos recebidos.

Isso potencializa o efeito de juros compostos sobre o seu patrimônio, pois é muito mais eficiente reinvestir um volume maior de proventos do que receber um volume pequeno na conta e deixar ele esperando pelo próximo aporte e então realizar o reinvestimento dos dividendos.

Dito isso, não se apegue demais aos dividendos, dê mais atenção ao crescimento do seu patrimônio. Inicialmente o que vai fazer seu patrimônio crescer é o seu esforço de poupança e foco em aumentar sua renda, otimizar seu orçamento e investir cada vez mais.

Na medida que seu crescimento profissional impulsiona seu crescimento patrimonial, os investimentos vão ganhando volume e trazendo maiores retornos, acelerando ainda mais a realização dos seus objetivos e a possibilitando atingir sua liberdade financeira.

*Planejador Fiduciário da Fiduc

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