Se por um lado, a conta de energia elétrica ficou mais alta e a ida ao supermercado também, do outro, o isolamento social até ajudou a economizar com os gastos com lazer e combustível, por exemplo. No entanto, ainda assim, está difícil chegar a um ponto de equilíbrio no orçamento, principalmente, para pessoas como o motorista Adonisson Nascimento que perdeu metade da renda nos últimos quatro meses.

“Meu custo de vida era equilibrado e tinha uma renda estável. Com a pandemia as rotinas diárias foram reinventadas tanto dentro de casa quanto no trabalho, tudo aconteceu muito rápido precisei me esforçar muito para conseguir me adaptar às mudanças”, conta.

E quem não está passando por esse ‘efeito sanfona’ no orçamento? Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Bahia, em maio, quatro de cada dez trabalhadores (42,4%) tiveram redução do rendimento, que ficou em média 21,7% menor que o habitual em função da pandemia. Os números integram os resultados da PNAD COVID19. O levantamento é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada com apoio do Ministério da Saúde.

Especialistas em finanças pessoais montaram com o CORREIO, um guia com cinco dicas para alcançar o equilíbrio do orçamento neste momento, onde cada centavo na conta faz a diferença. Entre as orientações estão o conhecimento real da sua renda atual, a definição de uma escala de prioridades, o acompanhamento de cada gasto, os cortes e reduções e, sobretudo, o exercício de manter as despesas menores que a receita.

“O impacto da pandemia nessas famílias que tiveram redução ou perda de renda é muito grande, pois, o consumo, principalmente de itens essenciais é inegociável. Não dá para deixar de comprar comida e materiais de limpeza. Por isso, planejar as compras e os gastos de maneira geral, de acordo com a renda da família e manter a disciplina agora é ainda mais importante”, recomenda o educador financeiro, Antônio Carvalho.

O consultor de finanças, Alex Cruz, concorda que é preciso listar as principais despesas e prioridades. “Não dá para gastar menos fazendo as mesmas coisas que se fazia antes sem ganhar o mesmo salário. A receita é equilibrar a balança, tentar compensar a redução da receita, reduzindo as despesas. Pois, o nosso resultado financeiro não depende de quando a gente ganha, mas do saldo que conseguimos poupar entre o que ganhamos e o que gastamos”, pontua o especialista.

Estabilidade

No caso do motorista Adonisson, a reserva financeira que tinha entrou também na conta para tentar compensar o aumento dos gastos em casa. “Acabei cortando o custo dos sonhos. Os desejos e realizações traçadas para esse ano terão que esperar um pouco mais. Guardava em torno de R$ 1 mil por mês. Comprei um pedaço de terra estava construindo e precisei parar com tudo”, conta. Ele também vendeu o carro e trocou por um modelo mais barato. “Foi mais uma estratégia poder sobrar um dinheiro pra qualquer eventualidade. Até essa reserva que fiz com a venda do carro já acabou”.

Para o diretor de planejamento financeiro da Fiduc Gestão de Investimentos com Finanças Pessoais, Valter Police, a dica para reverter o saldo desse ‘rebalanceamento’ é prestar atenção não só nas despesas fixas, mas também nas novas despesas que passaram a fazer parte da rotina da quarentena, por mais inocente que pareça o pedir de uma pizza por um aplicativo mais de uma vez na semana.

O mais importante Adonisson conseguiu, que foi adquirir o hábito de economizar e montar esta reserva, ainda que a crise tenha comprometido estes recursos. “O que não puder ser cortado, pode ser reduzido? Fique sempre atento às despesas. Se você se distrair, elas crescem. Essa vigilância constante fará com que o orçamento permaneça equilibrado, com possibilidades de gerar sobras para se transformarem em investimentos e que, em última instância, te aproximarão de seus objetivos”.

PARA EQUILIBRAR AS CONTAS NA PANDEMIA

Tenha consciência de qual é sua renda atual Por maior que tenha sido o susto e a emergência em readequar o padrão de vida por conta dos cortes de salário ou de perda total da renda na pandemia, a adaptação é necessária. Não dá para ficar contando com o salário de antes, ainda que mais que há grandes chances das medidas de redução de carga horária e suspensão de contratos serem prorrogadas.

Registre tudo e crie uma escala de prioridade Para fazer os ajustes é preciso entender despesa por despesa onde está ocorrendo esta variação maior e o porquê. Saber no que se gasta e exatamente quanto se gasta. Estabeleça uma ordem, do mais essencial para o menos essencial e aí vá fazendo os ajustes em que gastos ainda dá para fazer algum corte.

O que não pode ser cortado, pode ser reduzido? É aí que entram as renegociações, sobretudo, das despesas essenciais entre elas o aluguel, por exemplo. Vale dar uma olhada nas taxas bancárias e custos com o cartão de crédito também. Cada centavo é importante.

Fique sempre atento às despesas Essa vigilância e acompanhamento deve ser constante. Não dá para fazer as contas só quando o dinheiro entra. Crie o hábito de ir observando o comportamento do seu orçamento e para onde o dinheiro está indo, pelo menos, a cada 15 dias ou uma vez por semana. Isso vai permitir, inclusive, que o consumidor vá fazendo mais ajustes.

Despesas menores que a receita Esta é a fórmula para o equilíbrio do orçamento. Não é simples equalizar esta conta diante de uma pandemia e de uma crise financeira, claro. Não dá para gastar menos fazendo as mesmas coisas que se fazia antes. Além de cortar e reduzir, vale também substituir: uma marca por outra, ou pacote de internet mais em conta, dar aquela segurada nos gastos com delivery, por exemplo.

Por PRISCILA NATIVIADADE, do Jornal Correio

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