Na última década, parece que nós experimentamos uma vida inteira de experiências sobre investimentos.

Nós atingimos os picos, nós batemos nos pisos e nós discutimos o que aprendemos, se é que aprendemos alguma coisa. Além disso, o conhecimento sobre investimentos explodiu. É como se estivéssemos vivendo dentro de um laboratório dedicado a estudar e aprender o comportamento dos investidores. Por que nós realmente fazemos as coisas que fazemos quando tratamos de dinheiro? 

Aqui estão cinco coisas que eu percebi durante o meu tempo nesse laboratório: 

  • O comportamento humano ainda é humano

Os traços que nos ajudaram a sobreviver como espécie — escolhendo coisas que nos trazem segurança ou prazer e fugindo de coisas que nos causam dor — nos tornam péssimos investidores. Nosso cérebro briga para se adaptar a um mundo no qual atrasar a gratificação e lidar com a dor são parte do pacote. Queremos nos sentir bem agora, então compramos na alta. Queremos que pare de doer hoje, então vendemos na baixa. Talvez tudo isso não seja novidade para você, mas é fascinante para mim o quão pouco nós mudamos desde a bolha do mercado de tulipas que quebrou os comerciantes holandeses nos idos de 1600. 

  • Dinheiro = Sentimentos 

O dinheiro é emocional. Não estamos falando sobre planilhas e calculadoras. O dinheiro tem a ver com os medos e sonhos das pessoas, seus objetivos e valores. Então, será que estamos realmente surpresos porque as coisas tendem a sair dos trilhos quando nos concentramos nas planilhas, mas não falamos sobre as coisas que mais importam para as pessoas? Gostamos de pensar que somos racionais quando se trata de dinheiro, mas é raríssimo encontrar um investidor que só vê o dinheiro como meramente Reais e centavos. 

  • Finanças não são física

Nos últimos anos, vimos uma explosão de aconselhamentos para investimentos baseados em evidências (como os robo-advisors). É claro que é muito melhor do que tomar decisões financeiras com base na opinião de amigos ou de “ouvir falar”. Mas ele vem com o seu próprio risco: uma falsa sensação de precisão. Finanças não são uma ciência exata. Pessoas irracionais não começarão a flutuar se pararem de acreditar na lei da gravidade. Mas pessoas irracionais podem perder tudo se elas assumirem que os aconselhamentos financeiros baseados em evidências são infalíveis.

  • O foco de nosso mercado costuma estar no lugar errado

Qual o software de orçamento que você deve usar? Que tese de investimento você deve adotar? Que ferramentas de acompanhamento você deve recomendar? Vamos ser claros: uma ferramenta não vai ajudar as pessoas a descobrirem o que realmente importa para elas. Devemos passar mais tempo falando sobre valores e menos tempo falando sobre ferramentas. E devemos fazer isso até que consigamos diagnosticar o porquê de estarmos fazendo aquilo que estamos fazendo. 

  • O sinal está misturado com o ruído

Os investidores vivem em um verdadeiro circo de informação. Cada teoria, cada ferramenta, cada guru tem seu próprio círculo no qual dissemina o seu “ruído”. Para ser mais claro, há uma tonelada de informações valiosas espalhadas por aí sobre como investir, cuidar do orçamento e até mesmo sobre como ganhar mais dinheiro. Mas os investidores não são necessariamente melhores, porque o volume desse “ruído” (excesso de informações) pode sobrecarregar até mesmo o mais experiente dos indivíduos. Precisamos começar a apertar o “botão do mudo”. 

É um momento incrível para perceber tudo isso, porque a mudança está acontecendo agora e a olhos vistos. Os profissionais do mercado financeiro estão repensando seus papéis e os variados modelos de prestação de serviços financeiros, incluindo os investimentos, estão mais disponíveis para as pessoas.

Boas reflexões e um abraço

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