Conteúdo por: InvestNews

Pergunta do leitor: Gostaria de saber como se cria uma nova bolsa de valores.

Resposta de Tadeu Travassos:

Segundo alguns historiadores, a origem das bolsas de valores remonta à Roma antiga; segundo outros, as bolsas de valores se desenvolveram a partir da praça do comércio marítimo da Grécia antiga ou dos bazares palestinos, onde os comerciantes se reuniam para tratar de negócios. Mas, certamente, na sua origem, todos esses mercados tinham características muito diferentes das bolsas atuais.

As primeiras bolsas com características modernas surgiram em meados do século XV, na esteira da expansão comercial. Em Bruges, na Bélgica, no ano de 1487, a palavra ‘bolsa’ ganhou seu sentido comercial e financeiro, quando mercadores e comerciantes passaram a se reunir na casa de certo senhor Van der Burse, cujo brasão continha o desenho de três bolsas, a fim de realizar seus negócios: compra e venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos.

As bolsas de valores são associações civis, sem fins lucrativos e com funções de interesse público. Atuam como delegadas do poder público, têm ampla autonomia em sua esfera de responsabilidade. Além de seu papel básico de oferecer um mercado para a cotação dos títulos nelas registrados, orienta e fiscaliza os serviços prestados por seus membros, facilita a divulgação constante de informações sobre as empresas e sobre os negócios que se realizam sob seu controle.

As bolsas propiciam liquidez às aplicações de curto e longo prazos, por intermédio de um mercado contínuo, com movimentos ondulares representados por seus pregões diários. É por meio das bolsas de valores que se pode viabilizar um importante objetivo de capitalismo moderno: o estímulo à poupança do grande público e o investimento em empresas em expansão, que, diante deste apoio, poderão assegurar as condições para seu desenvolvimento.

A criação de uma bolsa de valores deve seguir toda a regulamentação vigente, em processo supervisionado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e ser baseada por características diferentes das atuais, para contribuir e incentivar de forma inédita, e complementar as negociações que deixam de acontecer na bolsa de São Paulo, por exemplo.

Além do mais, deve convergir, de maneira harmônica, ao propósito de estímulo à economia do país, através da poupança interna, que segundo a teoria macroeconômica, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é dependente do investimento, o qual precisa ser financiado pela poupança.

Quando isso não é suficiente para sustentar os investimentos a serem realizados no país, o desenvolvimento econômico torna-se subordinado ao acesso dos recursos provenientes do exterior, sob forma de dívida externa ou investimento direto.

Nesse contexto, existe uma iniciativa para a criação de uma nova bolsa de valores em estudos preliminares pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

*Planejador Financeiro da Fiduc

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