Se os sonhos são parte da vida a dois, a conquista do primeiro milhão pode ser uma das metas. Alavancar objetivos em dupla pode demandar mais trabalho, diálogo e disciplina do que individualmente, mas o resultado, se positivo, comemorado a dois é ainda melhor. O planejamento financeiro tem suas dificuldades, mas é necessário adotar o lema: “duas cabeças pensam melhor que uma” e assim, fazer do seu namorado(a), também um(a) parceiro(a) nos investimentos.

Felipe Nogueira, 24 anos, e sua noiva Ana Carolina, 21 anos, são um exemplo de casal que colocaram o milhão como foco no relacionamento. Após dois anos de namoro, “conversamos, alinhamos nossos planos e, nos últimos dois meses, fomos levados a pensar na família [com o noivado]. Com isso, nossa decisão é juntar e transformar esse valor em uma reserva de casal”, explica Nogueira.

Os dois têm como meta chegar a R$ 1 milhão no prazo de 24 meses, “visando manter ainda o conforto de viagens e divertimento”, afirmou Carolina. Como estratégia, eles utilizam uma planilha para monitorar os compromissos e gastos mensais, procurando diminuir as despesas desnecessárias, “como restaurantes e focar ao máximo na construção de patrimônio juntos. Para isso, definimos metas individuais para investimentos, criamos uma conta conjunta para aplicação e muito diálogo, principalmente diálogo”, declarou Nogueira.

Mas o tema dinheiro é ainda tabu para muitos casais. Segundo levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e da SPC Brasil, apenas 44% dos brasileiros falam com frequência sobre dinheiro em casa, ao passo que apenas 39% só entram nesse assunto quando a “situação financeira já não está boa”. Para 17%, as finanças são o motivo de brigas frequentes e os conflitos aumentam para 23% dos respondentes, quando analisados os casais com contas em atraso.

O educador financeiro do Meu Bolso Feliz, José Vignoli, que participou do estudo, apontou que grande parte dos problemas em relacionamentos começa pelo dinheiro, mas nem sempre isso é percebido claramente pelos casais. “Na maioria dos casos, o dinheiro vem disfarçado nas discussões. Se falta dinheiro para uma saída, o problema pode ser percebido como falta de romantismo. Se não sobra dinheiro para comprar roupas novas, o problema pode ser entendido como desleixo do parceiro. Se não há dinheiro para levar os filhos ao cinema, o conflito pode ser percebido como falta de carinho e atenção”, afirma.

Juan Vieira, 24 anos, e a namorada Luana Soares, 28 anos, também querem ir na contramão das estatísticas e colocaram os objetivos financeiros como protagonistas na relação. Com quase um ano e meio de relacionamento, eles perceberam que “podíamos dar certo e, há seis meses, traçamos nosso plano de vida, tais como manter o padrão, controlando as finanças e conquistar nossos patrimônios”, destacou Vieira. Eles pretendem chegar no montante em dez anos e, para isso, alocam 20% da renda mensal conjunta em investimentos, sendo 90% em renda variável e 10% em renda fixa. “Eu sempre faço a manutenção da nossa carteira, seguindo o cenário econômico”, explica Vieira.

A pedido da Forbes, a analista da Rico Investimentos, Paula Zogbi, simulou cenários de investimentos para os casais que também desejam chegar no primeiro R$ 1 milhão investindo juntos. “Vale lembrar que são apenas estimativas e que provavelmente não vão ter exatamente as mesmas taxas de rendimento para todos os anos estipulados na conta”, diz Paula. O estudo considera duas pessoas investindo da mesma forma, mas cada um em sua carteira.

Valter Police, planejador fiduciário da Fiduc, ressalta que um dos cuidados que o casal deve ter é planejar em dupla, mas investir individualmente. “O problema reside em situações desagradáveis para serem discutidas, notadamente a morte e a separação. Quando se faz planos, não pensamos que uma dessas situações pode ocorrer, mas elas podem e acontecem. Em geral, investir separadamente, cada um no seu CPF, mesmo que em carteiras semelhantes no mesmo fornecedor, evita grandes problemas quando essas situações acontecem, além de facilitar as questões voltadas às declarações do imposto de renda.

Assim, considerando a imprevisibilidade das taxas de rendimentos, a Forbes também elencou outras 5 dicas para que um casal consiga se planejar financeiramente e alcançar seus objetivos financeiros.

Diálogo

O planejador fiduciário da Fiduc destaca que o diálogo é essencial para um relacionamento. “Independente do objetivo, seja ele R$ 1,5 milhão ou R$ 100 milhões, o mais importante é que as pessoas conversem e estejam alinhadas sobre onde querem chegar e também sobre o que precisa ser feito para alcançar a meta.”

A analista da Rico Investimentos ainda destaca que para chegar em qualquer objetivo, o caminho é a organização financeira e os parceiros precisam entender o fluxo financeiro do outro e o quanto de risco estão dispostos a tomar juntos.

Definir objetivos

Apesar do casal definir metas conjuntas, os especialistas ressaltam que os namorados não devem esquecer os objetivos individuais. “É importante que cada pessoa também tenha o seu planejamento e suas metas próprias, mas isso deve ser conversado para que eles não interfiram nos planos conjuntos”, afirmou o planejador do Fiduc.

Parceria

Police destaca ainda que, em geral, os casais encontram dificuldades em manter uma estratégia consistente na busca por um objetivo. Nesse sentido, eventuais escorregões tendem a acontecer e, a partir daí, existem dois caminhos: o parceiro entende que é melhor dar força ao outro – e que os erros não devem se repetir – ou então o outro tende a pensar ‘já que ele fez, vou fazer também’. Neste caso, o trabalho de anos pode ser posto a perder.

Apoio externo

Mesmo analisando planilhas, fazendo um mapa dos sonhos e desenhando objetivos comuns, os especialistas afirmam que o casal também precisa de apoio externo, seja contando com um profissional especializado em planejamento financeiro e investimentos, ou com a família e amigos que podem oferecer suporte emocional para quando as barreiras aparecem.

Não siga fórmulas prontas

“Não siga fórmulas prontas”, afirma Paula. “Para alguns casais, faz sentido que o parceiro que ganha um salário maior contribua com mais dinheiro para o ‘pé de meia’. Já para outros, isso pode se tornar motivo de conflito. Você pode conversar com seus amigos para entender cada arranjo, mas não assuma que o que funciona para eles, funciona para você.”

Police ainda destaca que existe a possibilidade de que os planos traçados pelo casal também não funcionem, “mas isso é normal, resiliência para adaptar o necessário e seguir com a mesma disciplina e força de vontade.”

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